
Vivemos um momento de inflexão histórica. O Antropoceno impõe-nos uma constatação inescapável: a atividade humana tornou-se uma força geológica com capacidade para alterar os sistemas de suporte de vida do planeta. As alterações climáticas, a aceleração da perda de biodiversidade, a degradação dos solos e a contaminação dos ciclos biogeoquímicos revelam, com crescente evidência, a insustentabilidade do modelo de relação que estabelecemos com o mundo natural.
A Conferência Internacional Fazer a Paz com a Terra propõe uma reflexão interdisciplinar sobre as condições de possibilidade de uma reconciliação entre a Humanidade e o planeta. Mais do que um apelo à mitigação ou à eficiência tecnológica, trata-se de interrogar os fundamentos epistemológicos, éticos e políticos que têm estruturado uma relação de dominação e extração sobre os ecossistemas. Fazer a paz com a Terra implica, neste sentido, desconstruir a narrativa que separa o humano da natureza e que coloca aquele numa posição de exterioridade e soberania face a esta.

A Educação deve cumprir a sua missão de promover, através de um ensino crítico e dialógico, a compreensão dos desafios contemporâneos, entre os quais o Antropoceno, contribuindo para a formação de sujeitos com consciência crítica, capazes de transformar a realidade por meio da práxis.

As Autarquias podem desempenhar um papel de extrema importância, através da criação e desenvolvimento de iniciativas que disseminem o conceito de Antropoceno e ponham os cidadãos a refletir sobre como a sociedade deve agir em benefício do bem comum.
Neste encontro, dirigido a investigadores, docentes, estudantes do ensino superior, decisores políticos, profissionais do setor ambiental e a todas as pessoas interessadas numa reflexão aprofundada sobre a relação entre humanidade e natureza, reunem-se especialistas de diversas áreas para debater caminhos possíveis de reconciliação entre a Humanidade e o planeta. O programa combinará conferências plenárias e apresentação de comunicações científicas, promovendo o diálogo entre diferentes disciplinas e perspetivas.
Fazer a Paz com a Terra não é uma conferência sobre ambiente no sentido convencional. É um convite a pensar radicalmente, isto é, a ir à raiz das causas estruturais da crise ecológica, e a imaginar os contornos de uma nova convivência planetária.
Antropocénico ou Transientocénico?
Professor Catedrático de Física, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Físico teórico de reconhecido prestígio internacional, Orfeu Bertolami desenvolve investigação nas áreas da cosmologia, da gravitação e da física fundamental. Nascido no Brasil e radicado em Portugal há mais de três décadas, tem desempenhado um papel destacado na divulgação científica e na reflexão sobre a relação entre ciência, humanidade e planeta, sendo autor de numerosas publicações científicas e de vários livros dirigidos ao grande público.
Holoceno como Património Comum da Humanidade
Jurista, investigador e fundador da Casa Comum da Humanidade
Jurista e investigador da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Paulo Magalhães é fundador da Casa Comum da Humanidade, uma iniciativa internacional que propõe uma nova visão jurídica do Sistema Terrestre enquanto património comum. O seu trabalho procura aproximar a ciência, o direito e as políticas públicas na resposta aos desafios das alterações climáticas e da sustentabilidade
As Flores de Afonso Cruz
Professora Associada do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho
Desenvolve investigação nas áreas da literatura portuguesa e lusófona, da literatura comparada e da ecocrítica. A sua obra tem contribuído para o estudo das relações entre literatura, cultura e ambiente, explorando o modo como a criação literária participa na reflexão sobre os grandes desafios ecológicos e civilizacionais do nosso tempo.
Vandana Shiva e "A Guerra contra a Terra"
Professora Catedrática, Universidade Fernando Pessoa
Especialista em literatura comparada e estudos interartes, Isabel Ponce de Leão tem desenvolvido uma vasta atividade de investigação, ensino e divulgação cultural. O seu trabalho explora as relações entre literatura, cultura, artes e sociedade, contribuindo para uma compreensão humanista dos grandes desafios contemporâneos.
Cidadania e Sustentabilidade: juntos por um planeta melhor
Docente de Auditoria, Empreendedorismo e Consultoria no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais "General Osvaldo de Jesus Serra Van-Dunem", da Polícia Nacional de Angola.
Licenciada em Economia pela Universidade de Angola, Mestre em Administração e Gestão Pública e Doutorada em Ciência Políticas, Cidadania e Relações Internacionais, U. Lusófona do Porto. De 2018 a 2025 foi Subcomissário da Polícia Nacional de Angola; exerceu o cargo de Diretora para a Administração e Serviços do Instituto Superior da Polícia de Angola. De 2010 a 2014 foi docente de Economia Regional e Urbana Na Universidade Katiavala Bwila de Benguela, Angola.
Fazer a Paz com a Terra na Era do Homo Reactivus: Psicopoder, Cibercultura e a Reconstrução da Consciência Ecológica
Sociólogo, professor na Universidade Lusófona e investigador no CICANT
Especialista e docente em cibercultura e sociologia da informação e comunicação, desenvolve investigação nas áreas das redes digitais, do ambiente e das políticas públicas. Em alguns dos seus trabalhos, analisa as dimensões sociais e culturais da crise ecológica (nomeadamente nos livros "Eu Sou Tu: Experiências Ecocríticas, 2020)" e "Homo Reactivus: Consequências da Cibercultura num Novo Mundo, 2026"), explorando as relações entre comunidades, tecnologias, territórios, imitação e natureza, e contribuindo para uma abordagem interdisciplinar dos desafios ambientais contemporâneos.
Musealizar o Clima
Investigador do MARE - Marine Envirinmental Science Center; ARNET - Aquatic Research Network Associate Laboratory, Nova School of Science and Technology, NOVA University Lisbon, Caparica, Portugal
Investigador nas áreas do património, da museologia e da sustentabilidade, Sérgio Lira tem coordenado diversos projetos e conferências internacionais dedicados ao património cultural e ao desenvolvimento sustentável. O seu trabalho procura aproximar cultura, cidadania e ambiente, valorizando o papel do património na construção de sociedades mais resilientes e sustentáveis.
A importância da defesa e proteção da Amazônia para o mundo
Jornalista e Professora do Curso de Jornalismo da U. Federal de Roraima, Brasil; Mestre em Educação pela UFAM, Brasil; Doutora em Ciências da Cominicação pela UNISINOS, Brasil, e pós-doutora em Jornalismo, U. Fernado Pessoa.
Desenvolve pesquisas nas áreas do Jornalismo Ambiental e da Comunicação, com enfoque na Amazônia e Portugal, dedicando-se à cobertura de questões socioambientais e dos impactos de grandes empreendimentos. A sua atuação acadêmica e científica contribui para o fortalecimento de um jornalismo comprometido com a sustentabilidade, a ética e a defesa do meio ambiente.
Fazer a Paz com a Terra: do conceito de Paz à Ecologia como fator da Paz
Professora Associada, Universidade Fernando Pessoa
Especialista em política europeia e governação global, Cláudia Toriz Ramos investiga as relações entre democracia, sustentabilidade e políticas ambientais. O seu trabalho tem contribuído para a reflexão sobre a governação multinível do ambiente, a segurança ambiental e os desafios políticos colocados pelo Antropoceno.
Fazer a Paz com a Terra: viver em democracia no Antropoceno
Professor Substituto, Universidade de Santiago de Compostela
Licenciado em Ciências Políticas e Doutorado em Filosofia Moral e Política. A sua principal linha de investigação está relacionada com a democracia no contexto atual da emergência climática numa perspetiva multidisciplinar que reflete sobre a sustentabilidade no século XXI.
Antropoceno e crise dos sistemas de suporte de vida planetários
Alterações climáticas e limites ecológicos do crescimento
Perda de biodiversidade e colapso de ecossistemas
Educação crítica e dialógica para a consciencialização no contexto do Antropoceno
Epistemologias da natureza: saberes científicos e saberes tradicionais
Direitos da Natureza e novas formas de cidadania ecológica
Economia regenerativa e alternativas ao paradigma extrativista
Justiça climática e desigualdades ambientais globais
Tecnologia, geoengenharia e os limites da solução técnica
Ética ambiental e novas ontologias do humano-natureza
Culturas de reconciliação: arte, educação e imaginários ecológicos
Idiomas de trabalho:
Português
Galego
Espanhol
Inglês
24 de setembro (quinta-feira)
Local: Oficinas de Criatividade Himalaya
25 de setembro (sexta-feira)
Local: Oficinas de Criatividade Himalaya
26 de setembro (sábado)
Local: Oficinas de Criatividade Himalaya
Para mais informações, entre em contacto connosco.
FAZER A PAZ COM A TERRA